
História do Brasil – Parte 14: Collor, Itamar e o Plano Real (1990–2002)
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Blog Toda História
4/7/2026
Após a promulgação da Constituição de 1988 e o retorno das eleições diretas, o Brasil entrou em uma nova fase de sua história: a consolidação da democracia em meio a grandes desafios econômicos.
A eleição de 1989 marcou esse início. No segundo turno, disputaram a presidência Fernando Collor de Mello e Luiz Inácio Lula da Silva. Collor saiu vencedor e assumiu o cargo em 1990.
O governo Collor e o Plano Collor
Collor chegou ao poder com um discurso de combate à corrupção e modernização da economia. Ele prometia enfrentar os chamados “marajás” — servidores públicos com altos salários — e reduzir o tamanho do Estado.
No campo econômico, o principal problema do Brasil era a inflação extremamente alta, que desorganizava completamente a economia.
Para tentar conter a inflação, o governo lançou o Plano Collor, uma medida radical que ficou marcada na história do país.
A principal ação do plano foi o bloqueio das contas bancárias da população. O governo confiscou temporariamente grande parte do dinheiro em contas correntes, poupanças e aplicações financeiras, liberando apenas pequenas quantias para uso imediato.
O objetivo era retirar dinheiro de circulação para conter a inflação. No entanto, a medida causou forte impacto:
empresas perderam capital de giro
o consumo caiu drasticamente
muitas pessoas perderam acesso às suas economias
houve aumento do desemprego
Apesar do impacto inicial, a inflação voltou a subir pouco tempo depois, e o plano fracassou.
Crise política e impeachment
Além dos problemas econômicos, o governo Collor enfrentou graves denúncias de corrupção, envolvendo pessoas próximas ao presidente.
As denúncias mobilizaram a sociedade. Um dos movimentos mais marcantes foi o dos caras-pintadas, formado principalmente por estudantes que protestavam nas ruas pedindo o impeachment.
Em 1992, o Congresso Nacional aprovou o processo de impeachment. Antes da votação final, Collor renunciou ao cargo, mas mesmo assim teve seus direitos políticos suspensos.
Foi o primeiro impeachment de um presidente na história do Brasil republicano.
O governo Itamar Franco
Com a saída de Collor, assumiu a presidência o vice, Itamar Franco.
Itamar adotou uma postura mais conciliadora e buscou estabilizar o país tanto politicamente quanto economicamente. Seu governo ficou marcado por uma das decisões mais importantes da história recente do Brasil: a criação do Plano Real.
O Plano Real e o fim da hiperinflação
Para enfrentar a inflação, Itamar nomeou como ministro da Fazenda o sociólogo Fernando Henrique Cardoso.
O Ministério da Fazenda é o órgão responsável pela política econômica do país, incluindo controle de gastos, arrecadação e estabilidade financeira.
Sob sua liderança, foi desenvolvido o Plano Real, implementado em 1994.
Diferente dos planos anteriores, o Plano Real foi estruturado em etapas:
1. Controle dos gastos públicos
O governo buscou equilibrar as contas públicas:
corte de gastos
maior controle da emissão de dinheiro
redução de déficits
2. Criação da URV (Unidade Real de Valor)
A URV foi uma moeda de transição, criada para estabilizar os preços em meio à inflação alta.
Na prática:
os preços eram mostrados em URV
os pagamentos ainda eram feitos na moeda antiga
ajudou a preparar a economia para a nova moeda
3. Criação do real
Em 1º de julho de 1994, foi lançada a nova moeda: o real (R$), substituindo o cruzeiro real.
A nova moeda trouxe estabilidade e encerrou o ciclo de hiperinflação.
A estratégia funcionou. A inflação caiu rapidamente e a economia começou a se estabilizar.
O Plano Real foi um marco na história econômica do Brasil, pois trouxe previsibilidade e permitiu planejamento financeiro para famílias e empresas.
O governo Fernando Henrique Cardoso (FHC)
O sucesso do Plano Real impulsionou a eleição de Fernando Henrique Cardoso à presidência em 1994.
Importante:
O presidente Itamar Franco não concorreu à reeleição. Já Fernando Henrique, como Ministro da Fazenda responsável pelo Plano Real, ganhou popularidade e foi eleito.
Ele foi reeleito em 1998, governando entre 1995 e 2002.
Seu governo deu continuidade à estabilização econômica e promoveu reformas estruturais.
Principais características do período:
controle da inflação
→ manutenção do Plano Realprivatizações
→ venda de empresas como a Vale do Rio Doce e o sistema Telebrásabertura econômica
→ maior integração ao mercado internacionalfortalecimento do sistema financeiro
→ regras mais rígidas para bancosprogramas sociais iniciais
→ Bolsa Escola e Auxílio Gás
As privatizações tinham como objetivo reduzir gastos do Estado e aumentar a eficiência econômica.
Desafios do período:
crises internacionais (Ásia e Rússia)
aumento da dívida pública
desemprego em alguns setores
críticas às privatizações
O Brasil no início do século XXI
Ao final do governo FHC, o Brasil apresentava uma economia mais estável em comparação com décadas anteriores. A inflação estava controlada, e o país estava mais integrado à economia global.
No entanto, problemas estruturais permaneciam:
desigualdade social elevada
concentração de renda
desafios na educação e saúde
dependência econômica externa
O significado do período (1990–2002)
O período entre 1990 e 2002 foi fundamental para consolidar a democracia brasileira e estabelecer bases econômicas mais estáveis.
Ele marcou o fim da hiperinflação e o início de uma nova fase da economia brasileira.
Ao mesmo tempo, abriu caminho para novos debates sobre desenvolvimento, inclusão social e o papel do Estado — temas que continuariam centrais no Brasil do século XXI.
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