História do Brasil – Parte 12: A Ditadura Militar no Brasil (1964–1985)

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Blog Toda História

3/12/2026

Após o Golpe de 1964, o Brasil entrou em um período de governo militar que duraria 21 anos. O regime foi instaurado sob o argumento de conter o avanço do comunismo e restaurar a ordem política e econômica do país. Na prática, esse período foi marcado pela concentração de poder nas Forças Armadas, pela suspensão de direitos democráticos e pela repressão a opositores do governo.

Logo após assumir o controle do país, os militares mantiveram formalmente algumas instituições democráticas, como o Congresso Nacional, mas criaram mecanismos legais que permitiam governar acima da Constituição. Esses mecanismos ficaram conhecidos como Atos Institucionais.

O primeiro deles, o Ato Institucional nº 1, permitiu a cassação de mandatos políticos, a suspensão de direitos e a demissão de funcionários públicos considerados contrários ao novo regime. Centenas de políticos, professores, militares e servidores foram afastados de suas funções.

O poder passou a ser exercido por presidentes militares escolhidos indiretamente. O primeiro foi Humberto de Alencar Castelo Branco, que iniciou a reorganização institucional do regime.

O sistema bipartidário: ARENA e MDB

Em 1965, o regime militar decidiu extinguir todos os partidos políticos existentes. Em seu lugar foi criado um sistema controlado com apenas dois partidos permitidos, numa tentativa de manter a aparência de funcionamento democrático enquanto o poder real permanecia nas mãos dos militares.

O partido que apoiava o governo era a Aliança Renovadora Nacional. A ARENA reunia políticos favoráveis ao regime militar e servia como base de apoio do governo no Congresso. A maioria dos governadores e parlamentares ligados ao regime fazia parte desse partido.

Do outro lado existia o Movimento Democrático Brasileiro, que funcionava como uma oposição tolerada pelo regime. O MDB podia participar das eleições e criticar algumas decisões do governo, mas dentro de limites impostos pelo sistema político controlado pelos militares.

Na prática, esse sistema bipartidário permitia ao governo manter controle sobre a política nacional ao mesmo tempo em que preservava a aparência de um sistema democrático.

A Constituição de 1967

Nos anos seguintes, o governo militar ampliou seu controle sobre a sociedade. Em 1967, foi promulgada uma nova Constituição que incorporava os Atos Institucionais ao sistema jurídico do país.

Essa Constituição fortalecia o poder do Executivo, reduzia as liberdades políticas e consolidava o modelo autoritário do regime.

Mesmo com essas restrições, movimentos estudantis, artistas, intelectuais e diversos setores da sociedade continuaram a se mobilizar contra o regime.

O crescimento da oposição e as manifestações de 1968

Ao longo da década de 1960, manifestações públicas começaram a crescer. Estudantes universitários organizaram protestos em várias cidades do país, denunciando a falta de liberdade política.

Em 1968 ocorreu uma das maiores manifestações da época: a Passeata dos Cem Mil, no Rio de Janeiro. O protesto reuniu estudantes, artistas, jornalistas e diversos setores da sociedade civil em defesa da democracia e contra a repressão do regime.

O AI-5 e o endurecimento da ditadura

A resposta do governo veio no mesmo ano com a medida mais dura de todo o regime: o Ato Institucional nº 5, decretado em dezembro de 1968.

O AI-5 concedeu poderes quase absolutos ao governo militar e marcou o início do período mais repressivo da ditadura.

Entre suas principais medidas estavam:

  • fechamento do Congresso Nacional

  • intervenção federal em estados e municípios

  • censura prévia à imprensa, música, teatro e cinema

  • suspensão do habeas corpus para crimes políticos

  • cassação de direitos políticos por até dez anos

O habeas corpus é um instrumento jurídico que protege o cidadão contra prisões ilegais. Quando ele é suspenso, uma pessoa pode ser presa sem que um juiz examine imediatamente se a prisão foi legal ou abusiva. Durante o regime militar, isso permitiu que opositores fossem presos por longos períodos sem julgamento.

Esse período ficou conhecido como os “anos de chumbo”, caracterizados por forte repressão política.

Os órgãos de repressão

Durante os anos de maior repressão, o regime fortaleceu diversos órgãos de segurança e inteligência responsáveis por investigar e combater opositores do governo.

Entre eles estavam:

  • Departamento de Ordem Política e Social – órgão policial criado ainda antes da ditadura, mas amplamente utilizado pelo regime para investigar e prender opositores políticos.

  • Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna – unidades militares especializadas em inteligência e repressão política. Esses centros atuavam na investigação, prisão e interrogatório de suspeitos de oposição ao regime.

Diversos relatos, investigações e comissões posteriores documentaram casos de tortura e maus-tratos praticados nesses centros contra presos políticos.

A resistência ao regime

Diante da repressão e da falta de liberdade política, alguns grupos passaram a organizar formas de resistência clandestina. Parte desses movimentos defendia a luta armada como forma de derrubar a ditadura.

Entre suas ações estavam:

  • assaltos a bancos para financiar organizações clandestinas

  • ataques contra instalações do governo

  • sequestro de diplomatas estrangeiros para negociar a libertação de presos políticos

Esses movimentos foram combatidos duramente pelas forças de segurança do regime.

Os presidentes militares

Entre os presidentes militares que governaram o país nesse período estão:

  • Artur da Costa e Silva

  • Emílio Garrastazu Médici

  • Ernesto Geisel

  • João Figueiredo

O “Milagre Econômico”

Durante o governo Médici ocorreu o chamado Milagre Econômico Brasileiro, entre o final da década de 1960 e o início da década de 1970.

Nesse período, o Brasil registrou altas taxas de crescimento econômico, impulsionadas por investimentos estatais, expansão da indústria e grandes obras de infraestrutura.

Foram construídos projetos como:

  • a Rodovia Transamazônica

  • a Ponte Rio–Niterói

  • grandes usinas hidrelétricas

  • expansão da indústria pesada

Apesar do crescimento econômico, a renda ficou concentrada nas camadas mais ricas da população. A desigualdade social aumentou significativamente.

A crise econômica dos anos 1970

A partir da década de 1970, crises internacionais — especialmente o aumento do preço do petróleo — afetaram a economia brasileira.

Como o crescimento havia sido financiado por empréstimos externos, o país passou a enfrentar aumento da dívida externa, inflação elevada e desaceleração econômica.

A abertura política

Diante da crise econômica e da pressão social crescente, o governo do general Ernesto Geisel iniciou um processo gradual de abertura política conhecido como “distensão lenta, gradual e segura”.

O objetivo era reduzir gradualmente o autoritarismo do regime sem perder o controle da transição política.

As greves do ABC Paulista

No final da década de 1970 surgiram importantes greves operárias na região industrial conhecida como ABC Paulista.

O ABC Paulista é formado por três cidades da região metropolitana de São Paulo:

  • Santo André

  • São Bernardo do Campo

  • São Caetano do Sul

Essa região concentrava grande número de fábricas automobilísticas e metalúrgicas. As greves organizadas por trabalhadores dessas indústrias marcaram o ressurgimento do movimento sindical no Brasil e tiveram grande impacto político.

A Lei da Anistia

Durante o governo João Figueiredo, o processo de abertura avançou.

Em 1979 foi aprovada a Lei da Anistia, que permitiu o retorno de exilados políticos e libertou diversos presos acusados de crimes políticos.

Ao mesmo tempo, a lei também concedeu anistia a agentes do Estado acusados de abusos cometidos durante o regime, o que gerou debates que continuam até hoje.

O movimento Diretas Já

Na década de 1980, a pressão popular por eleições diretas cresceu rapidamente.

O movimento Diretas Já, em 1984, mobilizou milhões de brasileiros em grandes manifestações públicas exigindo o direito de escolher diretamente o presidente da República.

Apesar da mobilização popular, a proposta de eleições diretas foi rejeitada no Congresso naquele momento.

O fim do regime militar

Em 1985 ocorreu a eleição indireta que levou Tancredo Neves à presidência, marcando o fim do ciclo militar no poder.

Tancredo faleceu antes de assumir o cargo, e o vice José Sarney tornou-se presidente.

Assim terminava oficialmente a ditadura militar no Brasil.

O período entre 1964 e 1985 deixou marcas profundas na sociedade brasileira. Além das mudanças econômicas e institucionais, o país passou a debater nas décadas seguintes temas como memória histórica, justiça e os impactos políticos e sociais do regime militar.

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