
História do Brasil – Parte 6: O Período Regencial e as Revoltas Internas (1831–1840)
HISTÓRIAS DO BRASIL
Blog Toda História
1/24/2026
O Vazio de Poder e o Início do Período Regencial
Com a abdicação de Dom Pedro I em 7 de abril de 1831, o Brasil entrou em um dos momentos mais instáveis de sua história: o Período Regencial. Como o herdeiro do trono, Dom Pedro de Alcântara, tinha apenas cinco anos de idade, o país passou a ser governado por regentes, conforme estabelecia a Constituição de 1824.
A saída do imperador criou um vazio de poder e revelou profundas divisões políticas e sociais. O Brasil ainda era um país jovem, extenso, desigual e marcado por interesses regionais conflitantes. Manter a unidade territorial e política tornou-se o maior desafio dos governos regenciais.
As Regências e a Fragilidade do Governo Central
Logo após a abdicação, foi instaurada a Regência Trina Provisória, composta por três membros responsáveis por governar temporariamente o país. Pouco depois, foi criada a Regência Trina Permanente, formada por representantes das elites políticas.
No entanto, a diversidade de interesses e a ausência de uma liderança forte tornaram o governo frágil e pouco eficiente. O poder central tinha dificuldades para impor autoridade sobre as províncias, que exigiam maior autonomia.
Disputas Políticas no Período Regencial
Durante esse período, três grandes grupos políticos disputavam o controle do Estado:
Liberais moderados: defendiam uma monarquia constitucional com alguma descentralização administrativa.
Liberais exaltados: apoiavam maior autonomia provincial e, em alguns casos, a implantação da república.
Conservadores (ou regressistas): defendiam a centralização do poder e o fortalecimento da autoridade imperial.
Essas disputas constantes agravavam a instabilidade política e dificultavam a construção de um governo sólido.
O Ato Adicional de 1834 e as Tentativas de Reforma
Diante da crise política, foram propostas reformas institucionais. Em 1834, foi promulgado o Ato Adicional, que modificou a Constituição de 1824.
Entre suas principais medidas estavam:
A extinção da Regência Trina e a criação da Regência Una, permitindo que apenas uma pessoa governasse o país.
A concessão de maior autonomia às províncias, com a criação das Assembleias Legislativas Provinciais.
Apesar dessas mudanças, os conflitos sociais e regionais continuaram a se intensificar.
Revoltas Internas e Conflitos Regionais
O Período Regencial ficou marcado como a fase com o maior número de revoltas internas da história do Brasil. A pobreza, a escravidão, o autoritarismo local e a exclusão política alimentaram levantes populares em diversas regiões.
A Cabanagem (1835–1840)
Ocorrida na província do Grão-Pará, a Cabanagem envolveu indígenas, mestiços, negros e populações pobres, conhecidos como cabanos. O movimento chegou a tomar o poder local, mas foi violentamente reprimido. Estima-se que cerca de 30% da população da região tenha morrido durante o conflito.
A Sabinada (1837–1838)
Na Bahia, a Sabinada foi liderada por setores da classe média urbana e militares. Os revoltosos defendiam a criação de uma república baiana provisória, até que Dom Pedro II atingisse a maioridade. O movimento foi duramente reprimido pelo governo regencial.
A Balaiada (1838–1841)
No Maranhão, a Balaiada teve forte participação popular, envolvendo sertanejos, vaqueiros, escravizados e pequenos agricultores. O movimento refletia o profundo descontentamento social da região e foi sufocado por tropas comandadas por Luís Alves de Lima e Silva, futuro Duque de Caxias.
A Revolução Farroupilha (1835–1845)
No sul do país, a Revolução Farroupilha foi a mais longa e organizada das revoltas regenciais. Liderada por estancieiros gaúchos, resultou na proclamação da República Rio-Grandense. O conflito durou dez anos e só terminou com negociações e concessões do governo imperial.
Crise Política Permanente e o Golpe da Maioridade
Além das revoltas armadas, o período foi marcado por constantes crises políticas. A alternância entre liberais e conservadores no poder gerava instabilidade administrativa, enquanto o governo central enfrentava dificuldades para manter a ordem nas províncias.
Diante desse cenário, ganhou força a ideia de antecipar a maioridade de Dom Pedro II, mesmo contrariando a Constituição. Muitos políticos acreditavam que a presença de um imperador fortaleceria a autoridade central e traria estabilidade ao país.
Em 1840, com apoio dos liberais, foi proclamado o Golpe da Maioridade, declarando Dom Pedro II maior de idade aos 14 anos. Assim, encerrava-se oficialmente o Período Regencial e iniciava-se o Segundo Reinado.
O Legado do Período Regencial
O Período Regencial deixou marcas profundas na história brasileira. Ele revelou a fragilidade das instituições políticas, a força das desigualdades sociais e a dificuldade de manter a unidade nacional.
Ao mesmo tempo, foi um período de intensa experimentação política, fundamental para moldar o Estado brasileiro e preparar o país para uma fase de maior estabilidade sob o governo de Dom Pedro II.
Leituras recomendadas
O período do Primeiro Reinado foi marcado pela consolidação da independência, pela construção do Estado brasileiro e por intensas tensões políticas, econômicas e sociais. A centralização do poder, os conflitos com as elites regionais, a crise econômica e a abdicação de Dom Pedro I revelam as dificuldades enfrentadas pelo Brasil em seus primeiros anos como nação independente. As obras a seguir aprofundam esses temas e ajudam a compreender os desafios do nascimento do Brasil imperial.
O Tempo Saquarema: a formação do Estado Imperial — Ilmar Rohloff de Mattos
Por que ler:
Esta obra analisa os anos que se seguiram à abdicação de Dom Pedro I e a consolidação do Estado imperial brasileiro, mostrando as disputas políticas, as tensões sociais e as transformações institucionais do século XIX. O autor trata da formação das classes dirigentes e da hegemonia política que moldou o Brasil imperial.
Ideal para:
Compreender as bases políticas e sociais do Brasil no início da formação do Estado imperial, especialmente após o Período Regencial.


História Concisa do Brasil — Boris Fausto
Por que ler:
Como obra de síntese, este livro ajuda a contextualizar o Período Regencial dentro da história nacional, conectando as revoltas regionais ao processo de consolidação do Estado imperial.
Ideal para:
Leitores que desejam uma visão geral e didática do período.


O Brasil Imperial (Vol. 2) — Keila Grinberg e Ricardo Salles (orgs.)
Por que ler:
Segundo volume da coleção O Brasil Imperial, esta obra aborda o Período Regencial e a consolidação do Império, analisando as disputas políticas, as reformas institucionais e as revoltas que marcaram a década de 1830. O livro oferece uma visão plural, com textos de diversos especialistas sobre o período.
Ideal para:
Compreender as tensões políticas e sociais do Brasil durante o Período Regencial.




Rebeliões escravas no Brasil — João José Reis (org.)
Por que ler:
Esta obra organizada por João José Reis reúne análises sobre os principais levantes de pessoas escravizadas no Brasil do século XIX, com destaque para a Revolta dos Malês (1835). O livro contextualiza as rebeliões dentro das tensões sociais, econômicas e políticas do Período Regencial, mostrando como a resistência escravizada foi parte fundamental das disputas daquele momento histórico.
Ideal para:
Entender o papel da resistência das pessoas escravizadas no contexto das lutas políticas e sociais do Brasil no início do século XIX, especialmente durante o Período Regencial.
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