História do Brasil – Parte 8: A Proclamação da República e a República Velha (1889–1930)

HISTÓRIAS DO BRASIL

Blog Toda História

2/1/2026

A Queda da Monarquia e a Proclamação da República
O fim do Segundo Reinado representou uma ruptura profunda na história política do Brasil. Em 15 de novembro de 1889, a monarquia foi derrubada por um golpe militar liderado pelo marechal Deodoro da Fonseca, dando início ao regime republicano.
A mudança não ocorreu por meio de uma revolução popular. A Proclamação da República foi resultado principalmente das insatisfações das elites políticas, militares e econômicas, sem participação direta da maioria da população.
A monarquia encontrava-se enfraquecida por diversos fatores. A abolição da escravidão, em 1888, afastou o apoio dos grandes proprietários rurais, que não receberam indenização. O Exército, fortalecido após a Guerra do Paraguai, sentia-se desvalorizado e marginalizado pelo governo imperial. Além disso, ideias republicanas e positivistas ganhavam força entre militares e intelectuais urbanos.
Com o golpe, Dom Pedro II foi deposto e exilado junto com a família imperial. Poucos dias depois, o Brasil deixou oficialmente de ser uma monarquia e passou a se constituir como uma República federativa, embora, na prática, o poder continuasse concentrado nas mãos de poucos grupos.
A República da Espada (1889–1894)
Logo após a Proclamação da República, foi instaurado um Governo Provisório, chefiado por Deodoro da Fonseca. Esse período inicial ficou conhecido como República da Espada, pois os dois primeiros presidentes eram marechais do Exército: Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto.
Entre as primeiras medidas do novo regime estiveram a separação entre Igreja e Estado, encerrando o catolicismo como religião oficial, e a adoção de novos símbolos nacionais, como a bandeira republicana, inspirada no positivismo e marcada pelo lema “Ordem e Progresso”.
Em 1891, foi promulgada a primeira Constituição republicana do Brasil. O texto estabeleceu o presidencialismo, o federalismo e o voto direto masculino. No entanto, o voto era restrito aos homens alfabetizados, o que mantinha a maior parte da população excluída da vida política.
O governo de Deodoro da Fonseca foi marcado por instabilidade política e econômica. A tentativa de governar de forma autoritária e o fracasso do Encilhamento — política econômica que incentivou a especulação financeira e gerou inflação — ampliaram a crise. Pressionado, Deodoro renunciou ainda em 1891.
Seu sucessor, Floriano Peixoto, assumiu a presidência em meio a fortes tensões. Revoltas como a Revolta da Armada e a Revolução Federalista, no sul do país, desafiaram o governo. Floriano governou de forma autoritária, reprimindo duramente a oposição e consolidando a República pela força.
A República Velha ou Primeira República (1894–1930)
A partir de 1894, iniciou-se o período conhecido como República Velha, que duraria até 1930. Essa fase foi marcada pelo domínio das oligarquias rurais, especialmente das elites de São Paulo e Minas Gerais.
O sistema político passou a funcionar com base no coronelismo. Grandes proprietários de terra, chamados de coronéis, controlavam o poder local e influenciavam eleições por meio de favores, intimidação e fraudes. Como o voto não era secreto, a manipulação eleitoral tornou-se prática comum.
No plano nacional, consolidou-se a chamada política do café com leite, uma aliança informal entre as oligarquias de São Paulo, grande produtora de café, e de Minas Gerais, influente politicamente. Esses estados se alternavam na presidência, garantindo estabilidade às elites, mas excluindo a maioria da população do processo político.
Economia Cafeeira e Dependência Externa
Durante a República Velha, a economia brasileira permaneceu fortemente dependente da exportação do café. O governo intervinha frequentemente para proteger os cafeicultores, comprando e estocando excedentes com o objetivo de manter os preços no mercado internacional.
Esse modelo beneficiava os grandes produtores, mas tornava o país vulnerável às oscilações da economia mundial, além de aprofundar as desigualdades sociais e regionais.
Tensões Sociais e Revoltas Populares
Apesar da aparência de estabilidade política, a República Velha foi marcada por intensas tensões sociais. O crescimento das cidades, a chegada de imigrantes europeus e o surgimento do operariado urbano ampliaram as demandas por direitos trabalhistas e participação política.
Diversos conflitos eclodiram nesse período. Um dos mais emblemáticos foi a Guerra de Canudos (1896–1897), no sertão da Bahia. Liderado por Antônio Conselheiro, o movimento reuniu sertanejos pobres e foi violentamente reprimido pelo Exército, resultando em milhares de mortes.
Outro episódio marcante foi a Guerra do Contestado (1912–1916), entre Paraná e Santa Catarina, envolvendo camponeses expulsos de suas terras por empresas ferroviárias. Assim como em Canudos, o governo tratou o movimento como ameaça à ordem e respondeu com repressão militar.
Nas cidades, revoltas como a Revolta da Vacina (1904), no Rio de Janeiro, expressaram o descontentamento popular diante das reformas urbanas autoritárias e da exclusão social. A resposta do Estado foi, novamente, a repressão.
A Crise da República Velha e o Caminho para 1930
Ao longo da década de 1920, o sistema político da República Velha passou a dar sinais claros de desgaste. Jovens oficiais do Exército, conhecidos como tenentes, começaram a questionar o domínio das oligarquias e a defender reformas políticas e sociais. Esse movimento ficou conhecido como Tenentismo.
A crise final veio com a quebra da Bolsa de Nova York em 1929, que derrubou o preço do café no mercado internacional. A economia brasileira entrou em colapso, revelando a fragilidade do modelo agroexportador.
Em 1930, a ruptura política se consolidou. A insatisfação com o resultado das eleições presidenciais e a exclusão de novas forças políticas levaram à Revolução de 1930, que encerrou a República Velha e levou Getúlio Vargas ao poder.
O Significado Histórico do Período
A Proclamação da República e a República Velha representaram uma mudança de regime, mas não significaram uma transformação social profunda. O poder permaneceu concentrado, a desigualdade continuou elevada e grande parte da população seguiu excluída das decisões políticas.
Ainda assim, esse período foi fundamental para a formação das estruturas políticas, econômicas e sociais do Brasil moderno, preparando o terreno para as transformações que ocorreriam a partir da década de 1930.

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Leituras recomendadas

A Primeira República, iniciada em 1889, foi marcada por fortes contradições entre o ideal republicano e a realidade política do país, com a concentração de poder nas elites regionais, o controle do voto, o coronelismo e a exclusão da maior parte da população da vida política. As obras a seguir ajudam a compreender o nascimento da República, o funcionamento do regime e suas tensões sociais, revelando os limites do projeto republicano no Brasil.

1889 — Laurentino Gomes

Por que ler:
A obra reconstrói os acontecimentos que levaram à queda da monarquia e à Proclamação da República, apresentando os bastidores políticos, as disputas militares e os interesses das elites que conduziram a mudança de regime. O livro mostra que a República não nasceu de um amplo movimento popular, mas de articulações restritas e tensões acumuladas no final do Império.

Ideal para:
Compreender o nascimento da República brasileira e o contexto político que marcou a transição do Império para o novo regime.

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Ideal para: Compreender o nascimento da República e o contexto político que marcou a transição.
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História do Brasil em Quadrinhos: Proclamação da República — Edson Rossatto, Laudo e Omar Viñole

Por que ler:
Quadrinho didático que apresenta os principais acontecimentos da Proclamação da República de forma clara e visual, facilitando a compreensão do período para leitores mais jovens ou iniciantes no tema.

Ideal para:
Introduzir o tema da Primeira República de maneira acessível e visual, especialmente para estudantes e novos leitores.

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Ideal para: Introduzir o tema da Primeira República de maneira acessível e visual.
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Coronelismo, Enxada e Voto — Victor Nunes Leal

Por que ler:
Clássico fundamental para entender a Primeira República, a obra analisa o funcionamento real do sistema político republicano, marcado pelo clientelismo, pelo controle eleitoral e pelo poder dos coronéis nas regiões rurais. O livro revela como práticas autoritárias e excludentes moldaram a vida política do país após 1889.

Ideal para:
Entender como o poder local e o coronelismo sustentaram a República Velha e limitaram a participação popular.

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Ideal para: Entender como o poder local e o coronelismo sustentaram a República Velha.
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Ideal para: Refletir as contradições da Primeira República e o impacto do racismo e da exclusão.
Ideal para: Refletir as contradições da Primeira República e o impacto do racismo e da exclusão.
Triste República: A Primeira República comentada por Lima Barreto — Lilia Moritz Schwarcz (texto) e Spacca (ilustrações)

Por que ler:
A obra apresenta uma leitura crítica da Primeira República a partir dos textos e da visão de Lima Barreto, escritor que denunciou o racismo, a exclusão social e as desigualdades do Brasil republicano. Com linguagem acessível e formato ilustrado, o livro questiona as promessas não cumpridas da República.

Ideal para:
Refletir sobre as contradições sociais da Primeira República e o impacto do racismo e da exclusão no novo regime.

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