História do Brasil – Parte 13: A Redemocratização e a Constituição de 1988 (1985–1989)

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Blog Toda História

3/21/2026

O Fim da Ditadura Militar no Brasil marcou o início de um novo período na história do país: a redemocratização. Depois de mais de duas décadas de governo autoritário, o Brasil iniciou um processo de reconstrução das instituições democráticas, restabelecimento das liberdades políticas e reorganização da vida partidária.

A transição para a democracia ocorreu de forma gradual e negociada entre setores civis e militares. Nas eleições indiretas realizadas em janeiro de 1985, foi eleito presidente Tancredo Neves, candidato de oposição apoiado por uma ampla coalizão política.

Tancredo representava a esperança de reconciliação nacional e de retorno definitivo à democracia. No entanto, poucos dias antes da posse, ele foi internado devido a graves problemas de saúde e acabou falecendo em abril de 1985, sem ter assumido o cargo.

Diante dessa situação, o vice-presidente José Sarney assumiu a presidência da República. Sarney havia sido anteriormente ligado ao partido que apoiava o regime militar, mas naquele momento fazia parte da aliança política que conduziu a transição democrática.

Apesar das incertezas iniciais, o governo Sarney deu continuidade ao processo de abertura política. Uma das principais medidas foi a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, responsável por elaborar uma nova Constituição para substituir a legislação herdada do período militar.

A Assembleia Constituinte

Em 1986 foram realizadas eleições para escolher os deputados e senadores que participariam da Assembleia Constituinte. O objetivo era criar uma nova Constituição que estabelecesse bases democráticas sólidas para o país.

A Constituinte iniciou seus trabalhos em 1987 e contou com intensa participação da sociedade civil. Movimentos sociais, sindicatos, associações profissionais, organizações religiosas e diversos setores da população enviaram propostas e participaram de debates sobre os direitos que deveriam ser garantidos na nova Constituição.

Esse processo fez com que a Constituição brasileira fosse marcada por forte presença de direitos sociais e mecanismos de participação democrática.

A Constituição de 1988

Em 5 de outubro de 1988 foi promulgada a nova Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Ela ficou conhecida como “Constituição Cidadã”, expressão utilizada pelo presidente da Assembleia Constituinte, Ulysses Guimarães, para destacar seu compromisso com os direitos da população.

A Constituição de 1988 estabeleceu diversos princípios fundamentais:

  • restabelecimento pleno da democracia

  • garantia das liberdades civis e políticas

  • eleições diretas para presidente, governadores e prefeitos

  • independência entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário

  • ampliação dos direitos sociais

Entre os direitos sociais garantidos estão:

  • direito à saúde pública

  • direito à educação

  • proteção ao trabalhador

  • liberdade de organização sindical

  • direito de greve

  • proteção aos povos indígenas

  • defesa do meio ambiente

Um dos marcos importantes da Constituição foi a criação do Sistema Único de Saúde, que estabeleceu o acesso universal e gratuito à saúde pública no Brasil.

A nova Constituição também ampliou o direito ao voto. Tornaram-se eleitores:

  • cidadãos maiores de 18 anos (voto obrigatório)

  • jovens entre 16 e 17 anos (voto facultativo)

  • idosos acima de 70 anos (voto facultativo)

Essas mudanças ampliaram significativamente a participação política da população.

Desafios econômicos da redemocratização

Apesar dos avanços políticos, o Brasil enfrentava sérios problemas econômicos durante a década de 1980. O país vivia um período conhecido como “década perdida” para a economia latino-americana.

A inflação atingia níveis extremamente altos, reduzindo o poder de compra da população e criando instabilidade econômica.

Durante o governo José Sarney foram lançados diversos planos econômicos para tentar controlar a inflação. Entre eles estavam:

  • Plano Cruzado – lançado em 1986, congelou preços e salários e criou uma nova moeda, o Cruzado, na tentativa de interromper o ciclo de inflação.

  • Plano Bresser – implantado em 1987 após o fracasso do plano anterior, buscou controlar a inflação com novo congelamento de preços e cortes de gastos públicos.

  • Plano Verão – lançado em 1989, criou a moeda Cruzado Novo e tentou reduzir a inflação com novas medidas de controle de preços e ajustes econômicos.

Apesar dessas tentativas, os planos tiveram resultados limitados, e a inflação continuou sendo um dos maiores problemas econômicos do país no final da década de 1980.

O retorno das eleições diretas para presidente

Um dos marcos da redemocratização foi o retorno das eleições diretas para presidente da República. Isso ocorreu em 1989, pela primeira vez desde 1960.

A eleição presidencial de 1989 teve grande participação popular e vários candidatos disputando o cargo. No segundo turno, a disputa ocorreu entre Fernando Collor de Mello e Luiz Inácio Lula da Silva.

Collor venceu a eleição e assumiu a presidência em 1990, tornando-se o primeiro presidente eleito diretamente pelo povo após o fim da ditadura militar.

O significado da redemocratização

A redemocratização brasileira representou um momento decisivo na história do país. A Constituição de 1988 estabeleceu novas bases para o funcionamento das instituições políticas e ampliou significativamente os direitos dos cidadãos.

Apesar dos desafios econômicos e políticos que continuariam nas décadas seguintes, esse período marcou o retorno da democracia e da participação popular na vida política do Brasil.

A partir desse momento, o país passou a enfrentar novos desafios relacionados ao desenvolvimento econômico, à redução das desigualdades sociais e ao fortalecimento das instituições democráticas.

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